tag:blogger.com,1999:blog-57831172008-05-01T23:24:27.579+01:00Sangue das Palavras PurasFrederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comBlogger74125tag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-11665634320902580682007-08-03T00:19:00.000+01:002007-08-03T00:27:35.848+01:00cadela dos sentidossim
quero a tua viagem
quase
sem nuvens de palavras
brancas trespassadas perto
por aqui
no chão do silêncio
o fim da distância de um corredor
metemos no bolso o segredo
e vamos
numa qualquer margem marítima
a cadela dos sentidos a puta não se cala
é assim que passo o dia
quando as folhas estão escritas
as letras bolas de algodão
umas almofadas de alegria
quando o teu peito entra no meu braço
Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1137542125859682992006-01-17T23:48:00.000Z2006-01-17T23:56:38.536Zo sangue das palavras purasa criança corre
entre a
trança das cadeiras
a espinha de aço
na esplanada em linha
brinca e pinta o movimento
come imune a inocência
enquanto o sangue raw
estanca nas palavras puras
e lava o fumo nobre
de um pensamento gelado
e o branco momento
num inerte pranto
invisível ao líquido
inexistente de um corpo
que se desvaneia
é um sonho pavio
a vida
permanece
sobre o vazio
de uma laranja quente
queFrederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1136168427450663372006-01-02T02:19:00.000Z2006-01-02T21:59:16.646Ztigre bejeuma ganga azul
sobre a mesa dos mapas
um caminho sobre o sol dos cabelos
caídos e levemente despenteados
delgada viagem fúria
contente contenda
uma deformação de ferocidade
aproxima o desmaio do amor
em vidro partido sobre
a tua imagem timbre
limpa e necessária
uma alga simples
e vária contempla
a emergência do fluxo
um vento abre rápido sobre
a tua imagem temperada
aproxima a ganga
sobre a Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1133528195930788802005-12-02T12:56:00.000Z2006-01-02T21:41:01.763Zgume lento das rosastinha a saudade
como um gume lento das rosas
entre o que me separa do teu corpo
apenas o vento em olhar húmido
a pode acalmar numa cama de lama
em velocidades invernosas
sem resposta ao vento simples
do risco limpo
a saudade
deixa o caminho
com pedras soltas
e desconhecidas
alegriasFrederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1132356997492663072005-11-18T23:35:00.000Z2005-11-18T23:38:30.060Zlinhas finasvejo em círculos o mundo perfurme
em árvores flores delicadas os
braços rosa que podiam tocar
em linho
um mundo de nuvem
o meu mar desalinha por aqui
nas estrelas tempestade da noite
passas por uma viagem
numa montanha quando me falas
em frutas uvas de fragrância
um fumo de sinos
esses cabelosFrederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1102371176783725172004-12-06T22:10:00.000Z2005-11-09T01:03:58.046Zas árvores de Sofia (dois)(homenagem a Sofia de Mello Breyner Andersen)
não compreendo a lágrima
que se transporta numa barca
em ruas pela Graça Lisboa
Sofia tem ainda
livros por escrever com
os dedos algodão das nuvens
chorar é um sentido
presente em quem não fez
aduelas da vida um caminho
o pranto que não ultrapassamos
em latitudes translúcidas
ainda não toquei no perfume
que me inibe a tranquilidadeFrederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1100966949104640352004-11-20T16:08:00.000Z2004-12-12T13:21:14.156Ztemplo das estações uma música desce sobre a pele fronteiriça
também há desertos de luz incidente
tranquilos rios de sonhos agrestes
consumidos no ruído
do coração ácido
temperamento
das tempestades
dormentes no corpo
embalado pela melodia
apesar das descobertas do sol
qualquer dia desisto
dessa líquida melancia desconhecida
numa dessas viagens interinas
abruptas e salinas
e essa fruta dos ventos
Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1093453523034224412004-08-25T18:04:00.000+01:002004-12-12T13:21:47.783Zamorgência simples sentado
sinto que sim
e sonho com isso
acordado e deitado
sem dormir um segundo
nascido numa margem
de morangos cintilantes
quando o sumo da fome
transmite um corpo
de emergência
nas mulheres labirínticas
dos supermercados
elas desenham figuras
num espaço invisível ao suor
escrevem um tratado
de emergência amor
amorgência
amor
emergência
agora
Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1091317299190831712004-08-01T01:41:00.000+01:002004-12-12T13:22:16.086Zo clima dos teus cabelos vem ai uma tempestade
na relva do mar
no teu corpo de água
havia um reflexo inquieto
imperdoável
vou em frente em
direção à nuvem branca
numa harpa de temperatura
que se aproxima da noite
um caldo intranquilo
no sonho do fogo
uma piscina de memórias
permite um prisma
de devassidão
no clima
nos teus cabelos
recusas o suor
límpido da busca
labiríntica nos lábios
e a
Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1090272431508384742004-07-19T22:26:00.000+01:002005-12-02T13:26:27.556Zcor da miragema tua
miragem
ela vem entre a
madrugada e a perfurada
alga transparente do coração
vem a passo certo perto
do vento árido do aço
entre a clássica praia
onde a vagina é
temperada com
o vapor da
viagem
uma praia de
pele e espuma
deixo os dedos
em feixe suado
um peixe veludar
numa vibração da
temperatura tranquila
reconheço a silhueta
a minha sombra de punhal
perpendicular ao
desejo Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1089319047133699602004-07-08T21:36:00.000+01:002004-12-12T13:22:40.893ZRitmo de morangos Olhei um momento pela janela eterna das árvores, pensei que tinha encontrado uma ideia de um sentimento afogado na inocência.
Uma música beje tempera o vulção do teu lábio.
Agora não estás. Um sumo sonoro e clássico distrai o desejo.
Era apenas o meu coração que pensava, enquanto a mente sentia o ritmo aflorado dos teus morangos sobre a minha pele.
Em suma sinto a falta da tua Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1089113101855276892004-07-06T13:24:00.000+01:002004-12-12T13:23:11.726ZAs árvores de Sofia Não compreendo a lágrima que se transporta numa barca pelas ruas da Graça. Quando Sofia tem ainda livros por escrever com os dedos do algodão nas nuvens.
Só faz sentido chorar quem nada fez na aduela da vida ... como choramos a parte que não alcançamos de nós próprios.
Ainda não toquei no perfume que me inibe a tranquilidade.
Sofia é como os livros e os livros são como Sofia, fazem parteFrederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1088207356230849892004-06-26T01:48:00.000+01:002004-12-12T13:23:51.593ZO aço dos cravos Uma bandeira perturba o vazio no escuro da sala, deixando as cadeiras na interrogação perene do futuro. E um timbre silencioso relembra-me a cor sinistra do sangue.
Vou-me sentar um pouco nos ponteiros do tempo.
Reparo que estou ainda acordado no meio da vida. Reparo que faço uma estrada desse silêncio líquido que o hino repara.
Sou um segundo de um mar de espuma.
Reparos de uma Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1087572712999380032004-06-18T16:31:00.000+01:002004-12-12T13:25:44.903ZO Sol da Semente Vive uma semente com origem num rio, na mais doce espuma da alma, entre nós há um sol de Fevereiro em flor.
Uma voz ainda ausente mas presente quando a luz se sente.
Conheço as minhas mãos e a viagem que perfaz o som do destino. A melodia que elas criam na tua pele aquecem as pétalas dessa origem benévola.
Uma chama dilacera devagar as tristezas do tempo. Ainda te sinto como um sino na Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1087138329888833722004-06-13T15:50:00.000+01:002005-12-02T06:48:12.230ZA Lealdade da Lingerie Deixo de ser até onde a lâmina termina, depois vem o tempo no vento do teu corpo. E acorda-me novamente.
Assimilo as sementes das flores pálidas que desenham os grafitis.
Volto a encontrar-te num condor de uma gôndola que permeia o quente lento. Continua esse comportamento estranho nos pássaros que me satisfaz.
Todas as mulheres do mundo vivem num perfume que segrega na tua pele húmida. Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1086789490884830042004-06-09T14:55:00.000+01:002004-06-09T14:58:54.000+01:00A mutação da Esfera Armilar
De ontem para hoje uma vegetação marítima transporta-me numa alga de sal temperado. E um descobrimento acorda-me na mutação dos gritos pátrios.
Sou ainda português.
Há fogos não apreendidos que respiram no peito da saudade. E pelo corpo da alma fazemos um estaleiro com os músculos desfiados.
Tentamos uma cor de tinteiro dual na montanha da penumbra.
Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1085957385301585022004-05-30T23:49:00.000+01:002004-05-30T23:56:34.746+01:00Carne de Chocolate
Segredos de sémem sujos
sobre o aço da vitória
que aumentam o potencial
da tua emergência de névoa
Um leite de uva deixa
sobre o braço da glória
no autêntico manancial
uma transcrição tua segura
Mulher de vinho lácteo
uma luva de futuro
de algo que se pode dizer
nesta tempestade branca
Queima no dente clássico
devagar o meu pénis da pátria
Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1085514481607848632004-05-25T20:47:00.000+01:002004-05-25T20:48:18.853+01:00Os dias em que os leitores são sabonetes
O leitor é um sabonete. A maior parte dos momentos é um rabanete despenteado de poesia, que se julga até poeta lendo prosa dentro de um prisma.
São básicos os leitores.
São básicos os editores sabonetes.
Voltam a ser básicos os leitores.
Todos menos o Poeta. Essa ferida. O açúcar querido do sangue.
São mármores os poetas que comem a Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1082986103868743082004-04-26T14:28:00.000+01:002004-04-26T14:31:26.750+01:00Havia alguém na praia para beijar
A praia de uma nação inicia um músculo de mistério. Para além de mim não há ninguém senão o que eras tu.
Aqui sou muito lentamente alguém. Havia uma bandeira de areia que as naus prenunciavam.
Alguém da memória numa maresia. Havias tu numa falésia.
Havia ainda um beijo sozinho para acompanhar ao destino.
Nessa ilha onde nunca me encontrei, fui Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1082394282652410692004-04-19T18:04:00.000+01:002004-04-19T18:07:54.560+01:00O corpo do malmequer
São quinze minutos de ondas, em que as pernas se misturam com os cabelos e a memória é o vulcão do mar de malmequer.
Lembro-me do pólen que queima as avenidas por onde o sangue se aventura, quando não tinha nada caminhava, e ainda assim trepidava um perfume.
Contigo uma recta límpida de um lume.
Há um abismo que nos conhece de perto. Há um amor que desvanece Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1081789759989089262004-04-12T18:09:00.000+01:002004-04-12T18:12:09.233+01:00capri azulemente
é aqui a porta funicular para
o que se acaba no pensamento
capri
há um fim da escrita na pluma
o lápis pálido do mar é infinito no corpo
português
por isso sinto
a cor
qualquer bandeira
qualquer parte de lábio
nas margaridas limpas
num papiro de pele
aqui
encontro na subida da falésia luminosa
e fácil tentacular
o fim
de alguma viagem
o Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1081024625541882432004-04-03T21:36:00.000+01:002004-04-03T21:39:45.500+01:00O tratado dos trabalhos do homem
O teu pensamento interactivo deixa-me descansado, leva-me pálido na planície de gordura que o nevoeiro foi matando ao longo do tempo.
Leio tudo mas nunca chego a abrir um único livro com a luz branca da morte. As páginas passam por cima das nuvens arejadas.
E os pombos continuam a voar sobre as estátuas sujas de Lisboa.
Neste dia existe uma vela queFrederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1080081218976907032004-03-23T22:31:00.000Z2004-03-23T22:39:37.263ZDepois do grito o azimute
Antes que o frio pictórico
tempere a timidez
da brancura nuvem
vou ser a tela cera
de olhar infinito.
Uma lama da alma
transporta a alga
translúcida
no lago das
vitórias.
No ar
perdi o corpo
acre de sonhos
na transpiração
natação natural
da tranquilidade.
Fará sentido
derreter-me?
Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1078104107630946432004-03-01T01:21:00.000Z2004-03-06T00:44:59.046ZAs Sombras do Sol
Acordei. Como se não fosse nada, como se fosse tudo na colmeia de degraus que se encontra alegre na praia inocente. Tu.
É assim que te vou semeando de vento numa avenida de imagens eléctricas e esqueléticas. Há dias em que as plantas não deviam ter sofrido nas páginas de sol sombreado.
O homem vai temperando os ossos virgens com sentimentos que as sombras das plantasFrederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.comtag:blogger.com,1999:blog-5783117.post-1078099936792462992004-03-01T00:11:00.000Z2004-03-08T09:50:41.576ZO Som Simples do Sorriso
A luz é ensurdecedoramente doce como o veludo das línguas nos dias da noite.
A lâmina de som tropical transparece numa tua nova fotografia.
A loucura de uma imagem trepa pelo corpo que treme.
A alga do teu beijo transmite-me o silêncio.
A sombra são sorrisos do sol.
A música das pernas.
A miragem.
Simples.
Amor.
Frederico Lemos Cabralhttp://www.blogger.com/profile/13412528670868274711noreply@blogger.com