Quarta-feira, Junho 09, 2004

A mutação da Esfera Armilar


De ontem para hoje uma vegetação marítima transporta-me numa alga de sal temperado. E um descobrimento acorda-me na mutação dos gritos pátrios.

Sou ainda português.

Há fogos não apreendidos que respiram no peito da saudade. E pelo corpo da alma fazemos um estaleiro com os músculos desfiados.

Tentamos uma cor de tinteiro dual na montanha da penumbra.

Neste dia esférico, como no anterior e no seguinte passo para uma relva vulgar e húmida seiva lusa. Esquecemos as viagens da esfera armilar.

Esquecemos o esforço. As horas e o tempo que o ouro levou ao tempo.

Trocámos a exaustão do oceano pelo coração, mas há ainda laços tranquilos de braços pretos. Há redes de pesca na bandeira enérgica do corpo.

Sou um peixe salgado.

Sou um anzol fácil.


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