sim
quero a tua viagem
quase
sem nuvens de palavras
brancas trespassadas perto
por aqui
no chão do silêncio
o fim da distância de um corredor
metemos no bolso o segredo
e vamos
numa qualquer margem marítima
a cadela dos sentidos a puta não se cala
é assim que passo o dia
quando as folhas estão escritas
as letras bolas de algodão
umas almofadas de alegria
quando o teu peito entra no meu braço
quando o teu prato abre o meu laço de sangue
branco
Sexta-feira, Agosto 03, 2007
cadela dos sentidos
Terça-feira, Janeiro 17, 2006
o sangue das palavras puras
a criança corre
entre a
trança das cadeiras
a espinha de aço
na esplanada em linha
brinca e pinta o movimento
come imune a inocência
enquanto o sangue raw
estanca nas palavras puras
e lava o fumo nobre
de um pensamento gelado
e o branco momento
num inerte pranto
invisível ao líquido
inexistente de um corpo
que se desvaneia
é um sonho pavio
a vida
permanece
sobre o vazio
de uma laranja quente
que nasce sobre o pantanal
o fumegar doce
lembra-me um traço
de um perfil de alga
carregado e solto
um género de cristal
imundo de
funerais de sal
como um cesto de
sons surdos
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Hoje encontrei nas minhas deambulações pelo computador uma curiosidade, um ficheiro word com o nome deste blog, o sangue das palavras puras. Este ficheiro continha o poema agora publicado electronicamente, que foi escrito há seis anos, em 6 de Setembro de 2000, acabou por vir a dar o nome ao blog, que foi criado cerca de três anos depois. Resolvi publicar o poema...
Segunda-feira, Janeiro 02, 2006
tigre beje
uma ganga azul
sobre a mesa dos mapas
um caminho sobre o sol dos cabelos
caídos e levemente despenteados
delgada viagem fúria
contente contenda
uma deformação de ferocidade
aproxima o desmaio do amor
em vidro partido sobre
a tua imagem timbre
limpa e necessária
uma alga simples
e vária contempla
a emergência do fluxo
um vento abre rápido sobre
a tua imagem temperada
aproxima a ganga
sobre a mesa dos mapas
onde perguntamos o rio livre
para
o destino do desejo
cada vez mais próximo
de ti tigre beje
Sexta-feira, Dezembro 02, 2005
gume lento das rosas
tinha a saudade
como um gume lento das rosas
entre o que me separa do teu corpo
apenas o vento em olhar húmido
a pode acalmar numa cama de lama
em velocidades invernosas
sem resposta ao vento simples
do risco limpo
a saudade
deixa o caminho
com pedras soltas
e desconhecidas
alegrias
Sexta-feira, Novembro 18, 2005
linhas finas
vejo em círculos o mundo perfurme
em árvores flores delicadas os
braços rosa que podiam tocar
em linho
um mundo de nuvem
o meu mar desalinha por aqui
nas estrelas tempestade da noite
passas por uma viagem
numa montanha quando me falas
em frutas uvas de fragrância
um fumo de sinos
esses cabelos
Segunda-feira, Dezembro 06, 2004
as árvores de Sofia (dois)
(homenagem a Sofia de Mello Breyner Andersen)
não compreendo a lágrima
que se transporta numa barca
em ruas pela Graça Lisboa
Sofia tem ainda
livros por escrever com
os dedos algodão das nuvens
chorar é um sentido
presente em quem não fez
aduelas da vida um caminho
o pranto que não ultrapassamos
em latitudes translúcidas
ainda não toquei no perfume
que me inibe a tranquilidade
Sofia é como os livros
e os livros são como Sofia
fazem parte de um armário
onde apreciamos florir
em sonhos imortais
não há lágrimas de acuçar
que alimentem os nenúfares
esfomeados da leitura
uma sede transparente
penetra entre
os versos
descoberta
a poetiza não desapareceu
faz parte do principal
cristal arde
uma fotografia
um jornal
confirma a perpertuidade
das árvores que nascem nas páginas
alguns livros sonhos lidos
Sábado, Novembro 20, 2004
templo das estações
uma música desce sobre a pele fronteiriça
também há desertos de luz incidente
tranquilos rios de sonhos agrestes
consumidos no ruído
do coração ácido
temperamento
das tempestades
dormentes no corpo
embalado pela melodia
apesar das descobertas do sol
qualquer dia desisto
dessa líquida melancia desconhecida
numa dessas viagens interinas
abruptas e salinas
e essa fruta dos ventos
num nevoeiro de fogo atravessa
os lugares que a música
viu nascer ao perto
no amplo crustáceo
templo das estações