sábado, agosto 29, 2009

Espaço com Quadro

sentei-me
na ponta da fila de cadeiras
estava o centro do espaço quadrado
uma calma universal
dos oceanos
caminhava no meio
do ruído das meias palavras

encontrei-me
com o teu perfume de praia
estavas
tu eu e tudo
na palma dessa música
um quadro vasto
em quinze minutos
de um espaço quadrado

quero voltar
ao abraço desta cor sentada
e
veloz
levantei-me
na procura do som
da tua pele com ondas

aqui tudo é belo
aqui tudo tem a cor verde
aqui tudo vem som

afinal

encontrei-me
no som da relva
no vento nas tuas vertigens

aqui

sexta-feira, maio 29, 2009

vento de vertigens

copo
a tua boca
cinco estrelas (luminosas)
tal como te tinha dito
já
cabelos
desde algum tempo
teias de vento
corpo
de pedras vertiginosas
cinco telas de absinto
abertas
velas
sobre o teu
corpo de estrelas
vinco de seda
alertas
telas luminosas
vento de
telas vertigens

sexta-feira, agosto 03, 2007

cadela dos sentidos

sim
quero a tua viagem
quase
sem nuvens de palavras
brancas trespassadas perto
por aqui
no chão do silêncio
o fim da distância de um corredor
metemos no bolso o segredo
e vamos
numa qualquer margem marítima
a cadela dos sentidos a puta não se cala

é assim que passo o dia
quando as folhas estão escritas
as letras bolas de algodão
umas almofadas de alegria
quando o teu peito entra no meu braço
quando o teu prato abre o meu laço de sangue
branco

terça-feira, janeiro 17, 2006

o sangue das palavras puras

a criança corre
entre a
trança das cadeiras
a espinha de aço
na esplanada em linha
brinca e pinta o movimento
come imune a inocência
enquanto o sangue raw
estanca nas palavras puras
e lava o fumo nobre
de um pensamento gelado

e o branco momento
num inerte pranto
invisível ao líquido
inexistente de um corpo
que se desvaneia
é um sonho pavio
a vida
permanece
sobre o vazio
de uma laranja quente
que nasce sobre o pantanal
o fumegar doce
lembra-me um traço
de um perfil de alga
carregado e solto
um género de cristal
imundo de
funerais de sal
como um cesto de
sons surdos

segunda-feira, janeiro 02, 2006

tigre beje

uma ganga azul
sobre a mesa dos mapas

um caminho sobre o sol dos cabelos
caídos e levemente despenteados

delgada viagem fúria
contente contenda
uma deformação de ferocidade
aproxima o desmaio do amor
em vidro partido sobre
a tua imagem timbre
limpa e necessária

uma alga simples
e vária contempla
a emergência do fluxo
um vento abre rápido sobre
a tua imagem temperada

aproxima a ganga
sobre a mesa dos mapas

onde perguntamos o rio livre
para
o destino do desejo
cada vez mais próximo
de ti tigre beje

sexta-feira, dezembro 02, 2005

gume lento das rosas

tinha a saudade
como um gume lento das rosas
entre o que me separa do teu corpo
apenas o vento em olhar húmido
a pode acalmar numa cama de lama
em velocidades invernosas
sem resposta ao vento simples
do risco limpo
a saudade
deixa o caminho
com pedras soltas
e desconhecidas
alegrias

sexta-feira, novembro 18, 2005

linhas finas

vejo em círculos o mundo perfurme
em árvores flores delicadas os
braços rosa que podiam tocar
em linho
um mundo de nuvem

o meu mar desalinha por aqui
nas estrelas tempestade da noite

passas por uma viagem
numa montanha quando me falas
em frutas uvas de fragrância

um fumo de sinos
esses cabelos