sexta-feira, maio 29, 2009

vento de vertigens

copo
a tua boca
cinco estrelas (luminosas)
tal como te tinha dito
já
cabelos
desde algum tempo
teias de vento
corpo
de pedras vertiginosas
cinco telas de absinto
abertas
velas
sobre o teu
corpo de estrelas
vinco de seda
alertas
telas luminosas
vento de
telas vertigens

sexta-feira, agosto 03, 2007

cadela dos sentidos

sim
quero a tua viagem
quase
sem nuvens de palavras
brancas trespassadas perto
por aqui
no chão do silêncio
o fim da distância de um corredor
metemos no bolso o segredo
e vamos
numa qualquer margem marítima
a cadela dos sentidos a puta não se cala

é assim que passo o dia
quando as folhas estão escritas
as letras bolas de algodão
umas almofadas de alegria
quando o teu peito entra no meu braço
quando o teu prato abre o meu laço de sangue
branco

terça-feira, janeiro 17, 2006

o sangue das palavras puras

a criança corre
entre a
trança das cadeiras
a espinha de aço
na esplanada em linha
brinca e pinta o movimento
come imune a inocência
enquanto o sangue raw
estanca nas palavras puras
e lava o fumo nobre
de um pensamento gelado

e o branco momento
num inerte pranto
invisível ao líquido
inexistente de um corpo
que se desvaneia
é um sonho pavio
a vida
permanece
sobre o vazio
de uma laranja quente
que nasce sobre o pantanal
o fumegar doce
lembra-me um traço
de um perfil de alga
carregado e solto
um género de cristal
imundo de
funerais de sal
como um cesto de
sons surdos

segunda-feira, janeiro 02, 2006

tigre beje

uma ganga azul
sobre a mesa dos mapas

um caminho sobre o sol dos cabelos
caídos e levemente despenteados

delgada viagem fúria
contente contenda
uma deformação de ferocidade
aproxima o desmaio do amor
em vidro partido sobre
a tua imagem timbre
limpa e necessária

uma alga simples
e vária contempla
a emergência do fluxo
um vento abre rápido sobre
a tua imagem temperada

aproxima a ganga
sobre a mesa dos mapas

onde perguntamos o rio livre
para
o destino do desejo
cada vez mais próximo
de ti tigre beje

sexta-feira, dezembro 02, 2005

gume lento das rosas

tinha a saudade
como um gume lento das rosas
entre o que me separa do teu corpo
apenas o vento em olhar húmido
a pode acalmar numa cama de lama
em velocidades invernosas
sem resposta ao vento simples
do risco limpo
a saudade
deixa o caminho
com pedras soltas
e desconhecidas
alegrias

sexta-feira, novembro 18, 2005

linhas finas

vejo em círculos o mundo perfurme
em árvores flores delicadas os
braços rosa que podiam tocar
em linho
um mundo de nuvem

o meu mar desalinha por aqui
nas estrelas tempestade da noite

passas por uma viagem
numa montanha quando me falas
em frutas uvas de fragrância

um fumo de sinos
esses cabelos

segunda-feira, dezembro 06, 2004

as árvores de Sofia (dois)

(homenagem a Sofia de Mello Breyner Andersen)

não compreendo a lágrima
que se transporta numa barca
em ruas pela Graça Lisboa
Sofia tem ainda
livros por escrever com
os dedos algodão das nuvens

chorar é um sentido
presente em quem não fez
aduelas da vida um caminho
o pranto que não ultrapassamos
em latitudes translúcidas

ainda não toquei no perfume
que me inibe a tranquilidade

Sofia é como os livros
e os livros são como Sofia
fazem parte de um armário
onde apreciamos florir
em sonhos imortais

não há lágrimas de acuçar
que alimentem os nenúfares
esfomeados da leitura
uma sede transparente
penetra entre
os versos
descoberta

a poetiza não desapareceu
faz parte do principal
cristal arde
uma fotografia
um jornal
confirma a perpertuidade
das árvores que nascem nas páginas
alguns livros sonhos lidos