(homenagem a Sofia de Mello Breyner Andersen)
não compreendo a lágrima
que se transporta numa barca
em ruas pela Graça Lisboa
Sofia tem ainda
livros por escrever com
os dedos algodão das nuvens
chorar é um sentido
presente em quem não fez
aduelas da vida um caminho
o pranto que não ultrapassamos
em latitudes translúcidas
ainda não toquei no perfume
que me inibe a tranquilidade
Sofia é como os livros
e os livros são como Sofia
fazem parte de um armário
onde apreciamos florir
em sonhos imortais
não há lágrimas de acuçar
que alimentem os nenúfares
esfomeados da leitura
uma sede transparente
penetra entre
os versos
descoberta
a poetiza não desapareceu
faz parte do principal
cristal arde
uma fotografia
um jornal
confirma a perpertuidade
das árvores que nascem nas páginas
alguns livros sonhos lidos
segunda-feira, dezembro 06, 2004
sábado, novembro 20, 2004
templo das estações
uma música desce sobre a pele fronteiriça
também há desertos de luz incidente
tranquilos rios de sonhos agrestes
consumidos no ruído
do coração ácido
temperamento
das tempestades
dormentes no corpo
embalado pela melodia
apesar das descobertas do sol
qualquer dia desisto
dessa líquida melancia desconhecida
numa dessas viagens interinas
abruptas e salinas
e essa fruta dos ventos
num nevoeiro de fogo atravessa
os lugares que a música
viu nascer ao perto
no amplo crustáceo
templo das estações
também há desertos de luz incidente
tranquilos rios de sonhos agrestes
consumidos no ruído
do coração ácido
temperamento
das tempestades
dormentes no corpo
embalado pela melodia
apesar das descobertas do sol
qualquer dia desisto
dessa líquida melancia desconhecida
numa dessas viagens interinas
abruptas e salinas
e essa fruta dos ventos
num nevoeiro de fogo atravessa
os lugares que a música
viu nascer ao perto
no amplo crustáceo
templo das estações
quarta-feira, agosto 25, 2004
amorgência
simples sentado
sinto que sim
e sonho com isso
acordado e deitado
sem dormir um segundo
nascido numa margem
de morangos cintilantes
quando o sumo da fome
transmite um corpo
de emergência
nas mulheres labirínticas
dos supermercados
elas desenham figuras
num espaço invisível ao suor
escrevem um tratado
de emergência amor
amorgência
amor
emergência
agora
sinto que sim
e sonho com isso
acordado e deitado
sem dormir um segundo
nascido numa margem
de morangos cintilantes
quando o sumo da fome
transmite um corpo
de emergência
nas mulheres labirínticas
dos supermercados
elas desenham figuras
num espaço invisível ao suor
escrevem um tratado
de emergência amor
amorgência
amor
emergência
agora
domingo, agosto 01, 2004
o clima dos teus cabelos
vem ai uma tempestade
na relva do mar
no teu corpo de água
havia um reflexo inquieto
imperdoável
vou em frente em
direção à nuvem branca
numa harpa de temperatura
que se aproxima da noite
um caldo intranquilo
no sonho do fogo
uma piscina de memórias
permite um prisma
de devassidão
no clima
nos teus cabelos
recusas o suor
límpido da busca
labiríntica nos lábios
e a
paisagem transpira
nas montanhas interrogativas
do amor descoberta de cristal
somos todos
um aço ferido
deste animal temperado
e vulcânico
na relva do mar
no teu corpo de água
havia um reflexo inquieto
imperdoável
vou em frente em
direção à nuvem branca
numa harpa de temperatura
que se aproxima da noite
um caldo intranquilo
no sonho do fogo
uma piscina de memórias
permite um prisma
de devassidão
no clima
nos teus cabelos
recusas o suor
límpido da busca
labiríntica nos lábios
e a
paisagem transpira
nas montanhas interrogativas
do amor descoberta de cristal
somos todos
um aço ferido
deste animal temperado
e vulcânico
segunda-feira, julho 19, 2004
cor da miragem
a tua
miragem
ela vem entre a
madrugada e a perfurada
alga transparente do coração
vem a passo certo perto
do vento árido do aço
entre a clássica praia
onde a vagina é
temperada com
o vapor da
viagem
uma praia de
pele e espuma
deixo os dedos
em feixe suado
um peixe veludar
numa vibração da
temperatura tranquila
reconheço a silhueta
a minha sombra de punhal
perpendicular ao
desejo delimitado
uma nuvem
de napa vermelho
relembra o
cansaço paralelo
ao amor
miragem
ela vem entre a
madrugada e a perfurada
alga transparente do coração
vem a passo certo perto
do vento árido do aço
entre a clássica praia
onde a vagina é
temperada com
o vapor da
viagem
uma praia de
pele e espuma
deixo os dedos
em feixe suado
um peixe veludar
numa vibração da
temperatura tranquila
reconheço a silhueta
a minha sombra de punhal
perpendicular ao
desejo delimitado
uma nuvem
de napa vermelho
relembra o
cansaço paralelo
ao amor
quinta-feira, julho 08, 2004
Ritmo de morangos
Olhei um momento pela janela eterna das árvores, pensei que tinha encontrado uma ideia de um sentimento afogado na inocência.
Uma música beje tempera o vulção do teu lábio.
Agora não estás. Um sumo sonoro e clássico distrai o desejo.
Era apenas o meu coração que pensava, enquanto a mente sentia o ritmo aflorado dos teus morangos sobre a minha pele.
Em suma sinto a falta da tua presença. O alimento que o teu perfume penetra lentamente sobre a cinza dos três dias.
A falta de uma alfomada ao lado pode provocar uma tempestade no corpo.
Uma música leve tenta um turbilhão para o teu lábio em falta.
Agora já estás.
Um poema.
Uma música beje tempera o vulção do teu lábio.
Agora não estás. Um sumo sonoro e clássico distrai o desejo.
Era apenas o meu coração que pensava, enquanto a mente sentia o ritmo aflorado dos teus morangos sobre a minha pele.
Em suma sinto a falta da tua presença. O alimento que o teu perfume penetra lentamente sobre a cinza dos três dias.
A falta de uma alfomada ao lado pode provocar uma tempestade no corpo.
Uma música leve tenta um turbilhão para o teu lábio em falta.
Agora já estás.
Um poema.
terça-feira, julho 06, 2004
As árvores de Sofia
Não compreendo a lágrima que se transporta numa barca pelas ruas da Graça. Quando Sofia tem ainda livros por escrever com os dedos do algodão nas nuvens.
Só faz sentido chorar quem nada fez na aduela da vida ... como choramos a parte que não alcançamos de nós próprios.
Ainda não toquei no perfume que me inibe a tranquilidade.
Sofia é como os livros e os livros são como Sofia, fazem parte de um armário onde apreciamos florir com os sonhos imortais.
Não há lágrimas de acuçar que alimentem os nenúfares esfomeados da leitura, uma sede transparente penetra-se entre os versos da descoberta.
A poetiza não desapareceu ... faz parte do principal cristal do verso.
Uma fotografia num jornal confirma a perpertuidade das árvores que nascem nas páginas de alguns livros.
Só faz sentido chorar quem nada fez na aduela da vida ... como choramos a parte que não alcançamos de nós próprios.
Ainda não toquei no perfume que me inibe a tranquilidade.
Sofia é como os livros e os livros são como Sofia, fazem parte de um armário onde apreciamos florir com os sonhos imortais.
Não há lágrimas de acuçar que alimentem os nenúfares esfomeados da leitura, uma sede transparente penetra-se entre os versos da descoberta.
A poetiza não desapareceu ... faz parte do principal cristal do verso.
Uma fotografia num jornal confirma a perpertuidade das árvores que nascem nas páginas de alguns livros.
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