sábado, novembro 20, 2004

templo das estações

uma música desce sobre a pele fronteiriça
também há desertos de luz incidente
tranquilos rios de sonhos agrestes
consumidos no ruído
do coração ácido
temperamento
das tempestades
dormentes no corpo
embalado pela melodia

apesar das descobertas do sol
qualquer dia desisto
dessa líquida melancia desconhecida
numa dessas viagens interinas
abruptas e salinas

e essa fruta dos ventos
num nevoeiro de fogo atravessa
os lugares que a música
viu nascer ao perto
no amplo crustáceo
templo das estações

quarta-feira, agosto 25, 2004

amorgência

simples sentado
sinto que sim
e sonho com isso
acordado e deitado
sem dormir um segundo
nascido numa margem
de morangos cintilantes
quando o sumo da fome
transmite um corpo
de emergência
nas mulheres labirínticas
dos supermercados

elas desenham figuras
num espaço invisível ao suor
escrevem um tratado
de emergência amor
amorgência
amor
emergência
agora



domingo, agosto 01, 2004

o clima dos teus cabelos

vem ai uma tempestade
na relva do mar
no teu corpo de água
havia um reflexo inquieto
imperdoável

vou em frente em
direção à nuvem branca
numa harpa de temperatura
que se aproxima da noite
um caldo intranquilo
no sonho do fogo

uma piscina de memórias
permite um prisma
de devassidão
no clima
nos teus cabelos

recusas o suor
límpido da busca
labiríntica nos lábios
e a
paisagem transpira
nas montanhas interrogativas
do amor descoberta de cristal
somos todos
um aço ferido
deste animal temperado
e vulcânico



segunda-feira, julho 19, 2004

cor da miragem

a tua
miragem
ela vem entre a
madrugada e a perfurada
alga transparente do coração
vem a passo certo perto
do vento árido do aço
entre a clássica praia
onde a vagina é
temperada com
o vapor da
viagem

uma praia de
pele e espuma

deixo os dedos
em feixe suado
um peixe veludar
numa vibração da
temperatura tranquila

reconheço a silhueta
a minha sombra de punhal
perpendicular ao
desejo delimitado

uma nuvem
de napa vermelho
relembra o
cansaço paralelo
ao amor

quinta-feira, julho 08, 2004

Ritmo de morangos

Olhei um momento pela janela eterna das árvores, pensei que tinha encontrado uma ideia de um sentimento afogado na inocência.

Uma música beje tempera o vulção do teu lábio.

Agora não estás. Um sumo sonoro e clássico distrai o desejo.

Era apenas o meu coração que pensava, enquanto a mente sentia o ritmo aflorado dos teus morangos sobre a minha pele.

Em suma sinto a falta da tua presença. O alimento que o teu perfume penetra lentamente sobre a cinza dos três dias.

A falta de uma alfomada ao lado pode provocar uma tempestade no corpo.

Uma música leve tenta um turbilhão para o teu lábio em falta.

Agora já estás.

Um poema.


terça-feira, julho 06, 2004

As árvores de Sofia

Não compreendo a lágrima que se transporta numa barca pelas ruas da Graça. Quando Sofia tem ainda livros por escrever com os dedos do algodão nas nuvens.

Só faz sentido chorar quem nada fez na aduela da vida ... como choramos a parte que não alcançamos de nós próprios.

Ainda não toquei no perfume que me inibe a tranquilidade.

Sofia é como os livros e os livros são como Sofia, fazem parte de um armário onde apreciamos florir com os sonhos imortais.

Não há lágrimas de acuçar que alimentem os nenúfares esfomeados da leitura, uma sede transparente penetra-se entre os versos da descoberta.

A poetiza não desapareceu ... faz parte do principal cristal do verso.

Uma fotografia num jornal confirma a perpertuidade das árvores que nascem nas páginas de alguns livros.


sábado, junho 26, 2004

O aço dos cravos

Uma bandeira perturba o vazio no escuro da sala, deixando as cadeiras na interrogação perene do futuro. E um timbre silencioso relembra-me a cor sinistra do sangue.

Vou-me sentar um pouco nos ponteiros do tempo.

Reparo que estou ainda acordado no meio da vida. Reparo que faço uma estrada desse silêncio líquido que o hino repara.

Sou um segundo de um mar de espuma.

Reparos de uma parada num degrau de uma escada. Centavos que escrevo enquanto me conheço no aço dos cravos.

Uma perna macia permite algumas alegrias luminosas nas rosas. Basta-me uma vitória para percorrer a relva que me leva para ti.